R REPORTAGEM

Rentabilizar o máximo o que dispomos

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O facto de ter ocupado o quarto lugar no Moçambola-2012, mesmo tendo sido campeão de inverno, obrigou o Ferroviário de Maputo a uma grande reflexão para não cometer os mesmos erros do passado. Uma das acções foi contractar Victor Urbano, que deve ajudar a equipa a rentabilizar o máximo do que o plantel 

dispõe para 2013 e conseguir lutar para ganhar as principais provas em disputa em Moçambique.

Quando a Direcção do HCB e Victor Urbano chegaram a acordo de rescisão – ainda tinha mais um ano de contrato –, o Ferroviário, que também tinha decidido pela não continuidade de Nacir Armando no comando técnico, avançou para o técnico português, que estivera a trabalhar no Songo por duas épocas consecutivas.

A meio do mês de Dezembro Victor Urbano comprometeu-se com o Ferroviário de Maputo, que a partir dessa altura foi criando condições para que pudesse ter uma equipa melhor do que a anterior. O Ferroviário manteve Danito Nhampossa na equipa técnica, mas prescindiu de Manuel Valoi, treinador de guarda-redes, e que tinha sido um dos adjuntos de Nacir, e contratou para o seu lugar Victor Magaia, que tem vindo a trabalhar com Gert Engels nos Mambas, juntamente com João Chissano e Mano-Mano.

Foi buscar também alguns jogadores, como Mauro, Eurico, jovens avançados com passagem anterior pelo Vilankulo, além de Cândido (ex-Desportivo), Barrigana (ex-Ferroviário da Beira), entre outros.

– À medida que os passos iam sendo dados era informado do que estava a acontecer com a equipa e ao mesmo tempo íamos trocando algumas ideias. Estou satisfeito com aquilo que encontrei e ainda estou à espera de três ou quatro jogadores que conheço e estou completamente identificado com o seu valor, mas só depois de começar a trabalhar com o plantel é que poderei tirar melhores ilações ou conclusões gerais, começou por dizer Urbano, sempre cauteloso no seu discurso, não mencionando os nomes dos tais jogadores que estão a caminho.

 

TER PLANTEL MUITO FORTE

 

Victor Urbano afirmou que o objectivo do Ferroviário de Maputo para a presente temporada é conseguir ter um plantel muito forte, que dê garantias de conseguir o que está traçado para um clube da dimensão dos locomotivas.

– O que a Direcção me pediu foi rentabilizar ao máximo aquilo de que dispomos, e dentro do que são os pergaminhos do clube ganhar as duas principais competições em disputa no país, ou seja, o campeonato e a taça. Preparar melhor a equipa para tirar o melhor rendimento das peças que temos. Portanto, conseguirmos estar ao nosso melhor nível nos vários aspectos do jogo.

O novo timoneiro locomotiva já está em Moçambique há cerca de dois anos e pode falar com propriedade sobre o valor do futebol deste país e fazer uma perspectiva sobre a principal prova moçambicana: o Moçambola.

– Seremos uma das melhores equipas deste campeonato. Por isso somos dos principais candidatos ao título. Temos equipas que mantiveram praticamente o seu plantel anterior, como é o caso da Liga Muçulmana, Costa do Sol, o Maxaquene, que apesar de ter perdido três ou quatro jogadores continua forte. Essas equipas vão continuar a lutar pelos lugares cimeiros da tabela classificativa, até porque se reforçaram bem. A nossa obrigação é procurar soluções para que ao longo do campeonato possamos manter o nível exibicional e bons resultados e também ao nível classificativo que permita estar na luta pelo título e conseguirmos ser campeões, disse.

Victor Urbano foi questionado pelo desafio em que sector mais necessitava de ser reforçado, tendo em conta a trajectória tida no ano passado, em que a equipa teve níveis competitivos distintos e ainda tendo em conta que na equipa saíram Muhamed, Vling, Imo e Rachide, jogadores com preponderância na manobra da equipa, tanto na defensiva, como na ofensiva.

– Reforçámos em todos os sectores, ou seja, as contratações que o Ferroviário fez foi pensando em fortalecer a equipa no seu todo e penso que isso foi, em parte, conseguido. Mas, como disse anteriormente, esperamos receber ainda mais reforços que julgo que serão peças muito importantes e que poderão dar mais traquejo à equipa.

Como é sobejamente sabido, os adeptos do Ferroviário são extremamente exigentes e quando os bons resultados fogem à sua equipa manifestam-se, quase sempre, de uma forma veemente. Victor Urbano deixa uma mensagem à família locomotiva.

– O Ferroviário tem uma massa extraordinária e quer sempre a sua equipa no primeiro lugar e a trabalhar para atingir o máximo de rendimento e, deste modo, tudo faremos para podermos corresponder àquilo que é ambição dos nossos adeptos.

 

MAXAQUENE TEVE UMA

SEGUNDA VOLTA EXCELENTE

 Durante a nossa conversa o técnico locomotiva fez o balanço do Moçambola passado, que por unanimidade foi equilibrado e os resultados não são muito desnivelados, acontecendo o mesmo entre as equipas do cimo da tabela em relação às do meio e destas com as que acabaram por descer, com excepção do Ferroviário de Pemba.

– Foi um bom campeonato. Com um nível competitivo e com um equilíbrio mais aproximado entre as equipas que lutavam pelo título. Tivemos equipas que na segunda volta fizeram um excelente campeonato. O Maxaquene é o grande exemplo disso, assim como o Ferroviário da Beira, afirmou.

Prosseguindo nas suas declarações, falando ainda sobre o campeonato transacto, Victor Urbano disse igualmente haver aspectos que devem ser melhorados, no caso concreto das paragens ao longo do campeonato.

– As paragens muito prolongadas acabaram por ser uma grande mancha na prova. É lógico que essas paragens acabaram por beneficiar as equipas que estiveram em mau momento e com lesões, dando oportunidade para recuperar seus jogadores, mas prejudicaram claramente as que estavam num bom momento de forma, até porque nesse período não tem havido condições para fazer jogos particulares para manter o ritmo competitivo das equipas, lamentou, esquivando-se completamente de se pronunciar sobre a sua saída do HCB e do facto de não ter conseguido melhorar a classificação anterior como foi por ele referido no início da época passada.

 

 FUTEBOL MOÇAMBICANO

 

A tendência é

melhorar cada vez mais

 O nosso interlocutor, aproveitando a ocasião, fez um diagnóstico sobre a realidade do futebol moçambicano actualmente, fazendo referência à qualidade dos jogadores africanos, que por natureza detêm muita técnica.

– Temos equipas a trabalhar em muito bom nível, com qualidade na metodologia de trabalho. O que penso e nos tem dado a reparar é que a tendência é de sempre continuar a trabalhar mais para se tirar melhor proveito dos jogadores que têm muita técnica e sobretudo para que Moçambique atinja os patamares desejados .

 

 

 

 

Os melhores são

sempre bem-vindos

 Além de Victor Urbano, Moçambique conta no Moçambola com Victor Pontes (Chibuto), Diamantino Miranda (Costa do Sol), Litos (Liga Muçulmana), Rogério Gonçalves (Ferroviário de Nampula) e agora José Fernando (Têxtil do Púnguè). Esta situação divide opiniões, com uns a dizer que os técnicos moçambicanos estão a perder espaço para treinadores que não chegam a ser uma mais-valia e outros defendem que podem contribuir para o crescimento do futebol nacional, tendo em conta que vêem de uma realidade mais evoluída.

– Os melhores são sempre bem-vindos, seja em que país for. A qualidade do trabalho fala por si. Penso que há moçambicanos com valor. Isso nem pode ser posto em causa. Os clubes procuram os treinadores de acordo com as características do clube e também do técnico, e das suas metodologias de trabalho, rematou Urbano.

Os melhores árbitros

devem apitar mais vezes

 Nesta conversa que mantivemos com Victor Urbano para falar das suas ideias para um novo Ferroviário não podíamos deixar de abordar a arbitragem, que continua o lado mau do futebol moçambicano, chegando mesmo a influenciar nos resultados.

– Não gosto muito de falar das arbitragens, mas posso dizer que em alguns jogos os árbitros tiveram actuações negativas. Mas isso há em todo lado. Não é só em Moçambique. O que eu penso é que os árbitros devem ser imparciais. Errar, todos erramos, mas que não seja com o propósito de prejudicar a, b ou c. Moçambique tem árbitros de qualidade e esses é que devem ser mais solicitados para os jogos, sublinhou.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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