O OPINÃO

Os custos da ignorância são… elevadíssimos!!!!

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O que levou Clésio e outros jogadores dotopo a actuarem nos torneios de bairros foi a saudade dos campos pelados, arenosos, pedregulhos, ondulados, encovados ou foram as batatinhas que os patrões das equipas lhes deram mais o self-service de um cocktail de bebidas que lhes davam no final de cada jogo?

O Torneio deFutebol Titanic, que se realiza anualmente no bairro T-3, tornou-se famoso pelas equipas e pelos jogadores que o corporizam, arrastando consigo dezenas de espectadores e animando as tardes deste Inverno às vezes causticante.

 Já o dissemos várias vezes que não estamos de acordo com a integração de jogadores federados nas equipas que ali desfilam, por razões que têm a ver com o seguinte:

- esses jogadores federados deviam estar de repouso por se tratar de um período de defeso decretado pela Federação Moçambicana de Futebol;

- esses jogadores deviam respeitar as colectividades a que  estão vinculadas contratualmente, que lhes concederam férias, exactamente para irem descansar, depois de uma época de treinos diários, intercalados por jogos aos fins-de-semana;

- esses jogadores deviam preservar a sua condição física para que, chegada a hora de regressar ao trabalho, estivessem em condições e não apresentassem fadiga nem mazelas resultantes da sua participação nestes torneiros que não foram planificados pelas equipas técnicas;

- esses  jogadores ainda não saltaram da competição bairrista para a alta competição; e

- esses jogadores, para eles, a auto-estima é algo que não é com eles, é um dogma e, portanto, tanto faz ser atleta de topo como de bairro.

Quem ficou escandalizado foi o presidente da Federação Moçambicana de Futebol, que foi ao bairro T-3 a convite dos organizadores do Titanic. Porquê?

Quando lá chegou, Feizal Sidat, ao invés de ver jovens do bairro a darem o gosto ao pé, deparou com um desfile de jogadores federados.

Estavam lá craques do Maxaquene, Costa do Sol, Ferroviário de Maputo, Liga Muçulmana, Desportivo de Maputo, Matchedje e de outras colectividades de topodo futebol moçambicano.

Entre esses jogadores que desfilaram, para a surpresa do presidente da Federação, estavam lá também jogadores que representam a Selecção Nacional de Futebol, que são ídolos da juventude.

Numa outra visita que fez ao bairro da Urbanização para conversar com os jovens locais e proceder à entrega de algum equipamento, houve quem o perguntasse: “Será que não há meio de disciplinar estes jogadores, que nas férias, em período de defeso, andam metidos em torneios nos bairros, andam em grandes bebedeiras?”

A resposta dada por Feizal Sidat foi de que Federação podia aconselhar os jogadores a evitarem estes males, uma vez que a estrutura que superintende o futebol nacional não tem força para os punir.

Tem alguma lógica, porque os jogadores não são da Federação, mas sim dos clubes, é com os clubes que os jogadores têm vínculos contratuais, são os clubes as entidades patronais dos jogadores, são os clubes que são os patrões dos jogadores e são esses clubes que deviam pôr ordem nos seus atletas e não os deixar fazer o que lhes apetece nas férias.

Já o dissemos também que um jogador de futebol utiliza mais o seu corpo como instrumento de trabalho. Que o descanso era um treino invisível. Ao não descansar, ao utilizar o corpo de qualquer maneira, que rendimento se pode esperar desses jogadores?

É um problema de mentalidade, de auto-estima, que se arrasta desde há anos entre nós e que ninguém consegue colocar travão.

Nos bairros polulam equipas que têm patrões. São esses patrões que distribuem dinheiro pelos jogadores, patrões esses que patrocinam bebedeiras e é nessas equipas onde alguns dos nossos craques alinham sem que ninguém lhes chame à atenção do desacerto que estão a cometer.

O espanto de tudo isto foi quando as pessoas viram e ouviram que o avançado Clésio, que está na equipa B do Benfica de Portugal, que veio a Maputo passar a quadra festiva, esteve e jogou no torneio Titatnic.

Lembrei-me de dois craques do Maxaquene que se lesionaram nesses torneios de bairro: o falecido Manuel Cossa e o ponta-de-lança Jordão, e desatei-me a questionar: “O que levou Clésio e outros jogadores do topo a actuarem nos torneios de bairros foi a saudade dos campos pelados, arenosos, pedregulhos, ondulados, encovados ou foram as batatinhas que os patrões das equipas lhes deram mais o self-service de um cocktail de bebidas que lhes davam no final de cada jogo?”

Todos estes jogadores, se tivessem um bocadinho de escolaridade chegariam à conclusão de que os custos da ignorância são elevadíssimos.

É uma pena o ignorante não poder avaliar e quantificar os custos da sua ignorância.

Se o Benfica souber que o Clésio andou em Maputo nestas brincadeiras, pode metê-lo no primeiro avião e regressar a Maputo.

 

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