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Matchedje fará o melhor para dignificar as FADM

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O Brigadeiro Marcos Fabião Manjate promete um Matchedje regular, que fará o melhor de si para dignificar as Forças Armadas de Defesa de Moçambique. Na sua primeira grande entrevista, o homem-forte do Matchedje, de 58 anos de idade, tem em mãos a continuação de um projecto de devolução da colectividade aos militares, seus verdadeiros donos.

 

Na sequência do pedido de demissão apresentado pelo anterior presidente do Matchedje, Norberto dos Santos, a Assembleia-Geral da colectividade “militar” reuniu-se em sessão extraordinária e decidiu dar voto de confiança aos restantes membros da Direcção para conduzirem os destinos do clube até ao fim de 2013, ano em que termina o mandato.

 

O Brigadeiro Marcos Fabião Manjate, na qualidade de 1º Vice-Presidente da Direcção, é a figura indicada para coordenar a implementação do manifesto eleitoral da Direcção eleita até à altura da realização da Assembleia-Geral Ordinária para a eleição de novos corpos.

 

QUEM É O BRIGADEIRO

MARCOS FABIÃO MANJATE?

Desconhecido por muitos nos meandros desportivos até ao dia em que foi convidado a assumir a presidência do clube, Marcos Manjate nasceu na província de Gaza, no distrito de Xai-Xai, em 1955. Fez a sua instrução primária naquela província na Missão de São Benedito dos Muchopes, onde concluiu a 4ª classe.

Como muitos moçambicanos naturais de outras províncias, em 1969 Manjate rumou para a cidade de Maputo, então Lourenço Marque, à procura de emprego. Chegado à capital fez muitas coisas, como ele mesmo diz. Trabalhou no Consultório Jurídico como arrumador do escritório. Passou por um escritório de um despachante e até foi canalizador. Mas não parou por aqui. Em busca da sua afirmação profissional, Marcos Manjate chegou mesmo a abraçar a educação, dando aulas no Ensino Primário, na Escola da Munhuana, na cidade de Maputo, mas por pouco tempo.

Anos depois foi admitido na Direcção Provincial das Finanças, até que, em 1979, ingressou nas fileiras das Forças Populares de Libertação de Moçambique (FPLM), a título voluntário. Esteve na província de Manica e depois passou para Boane. Trabalhou no Comissariado Político Nacional das FPLM, passou para a Escola Militar de Nampula e em 1981 foi frequentar um curso militar na Alemanha, concretamente na antiga RDA. No regresso voltou a trabalhar em Nampula, no Centro de Recrutamento e Mobilização.

Consta ainda do currículo de Manjate a passagem pela Comissão Regional de Cessar-Fogo e pela chefia de um departamento na Academia Militar de Nampula. Quando voltou para a cidade de Maputo, no Ministério da Defesa Nacional, foi convidado para exercer as funções de director nacional dos Recursos Humanos.

Cumprida esta missão, voltou para o exterior, concretamente para a República Popular da China, onde foi “beber” um pouco mais de conhecimentos na sua carreira militar. Regressado do Império do Maio, o agora presidente do Matchedje foi colocado em Boane, sendo actualmente comandante da Escola de Formação de Sargentos das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM).

 

NÃO FOI PRATICANTE

DO DESPORTO FEDERADO

Apesar de estar no leme de uma colectividade desportiva, Marcos Manjate não tem um passado futebolístico como praticante, pelo menos ao nível de alto rendimento, nem como diversão e muito menos de forma profissional. Entretanto, tal como acontece com muitos jovens, uma e outra vez deu alguns toques na bola, mas sempre se envolveu nas causas desportivas, dando o seu contributo aos praticantes, tal como o fazia quando estava em Nampula, onde não poupou esforços no apoio ao Matchedje local, que acabou se qualificando para a principal divisão daquela parcela do país.

– Nas unidades por onde passei dei sempre uma mãozinha no desporto, enfatiza Marcos Manjate.

Este é o primeiro mandato do Brigadeiro, em termos de dirigismo desportivo, por inerência dos estatutos do Matchedje. E ele explica como é que aparece no elenco antes liderado por Norberto dos Santos:

– O Matchedje é uma agremiação desportiva maioritariamente das Forças Armadas. Digo maioritariamente porque também temos sócios que não são membros das FADM. Tendo em conta este pressupostos, nos corpos directivos do clube impõe-se que caso o presidente seja civil outros membros do seu colectivo têm que vir das Forças Armadas. O presidente que lidera a lista deve saber quem são, deve aceitá-los e interagir com eles. Foi nesta base que eu apareci aqui na Direcção do Matchedje.

 

O SENTIDO DA MISSÃO

 

Comentando a sua condução para a liderança da Direcção do Matchedje, Marcos Manjate diz que não tinha nenhuma escolha a fazer, como os militares nunca a têm, por inerência da natureza das suas funções ou atribuições.

– Nós os militares, sobretudo nós os oficiais, valorizamos o sentido de missão. Se há uma missão temos é que cumprir e cumprir da melhor forma. Entretanto, falando sinceramente, eu gostaria que o presidente Norberto dos Santos tivesse continuado, por se tratar de um homem do desporto, por isso, homem certo para estas coisas. Ele trabalhou connosco de forma harmoniosa e por ter sido muito bom para as expectativas do clube e da sua massa associativa, que ele ainda estivesse aqui. Mas, não tendo continuado, assumimos que alguém teria que fazer pela colectividade.

Quisemos saber do nosso interlocutor que aspectos iria tomar em conta nos seus primeiros momentos na direcção máxima do clube, cuja equipa principal de futebol acaba de regressar ao Moçambola, tendo nos remetido ao projecto apresentado por Norberto dos Santos quando das eleições.

– Na altura definimos qual era o propósito. Ficou claro o que nós queríamos. E nessa altura nós queríamos um Matchedje bem firme no Moçambola e sempre ocupando lugares cimeiros nesta principal competição do nosso país. Em algum momento conseguimos ter o Matchedje acima do meio da tabela classificativa, mas depois tivemos um Matchedje que foi despromovido para o Campeonato de Futebol da Cidade de Maputo. Orgulha-nos agora termos trazido a equipa de volta ao Moçambola e pensamos que a trazemos em definitivo.

O presidente do Matchedje garante que a equipa que se qualificou para o Moçambola tem a sua espinha dorsal quase incólume e será a base do plantel para o ano que agora acabou de começar, mesmo se tendo registado saídas de um e outro jogador, por diversas razões.

– Contratámos um novo treinador, o brasileiro Alex Alves, que chegou quarta-feira ao país, após ter ido ao seu país em gozo de férias. A ele iremos entregar os jogadores que representaram o Matchedje, os que pretendem juntar-se a esta família, que não são poucos e os que resultaram da prospecção que fizemos, para que ele defina o seu plantel para 2013, dentro daquilo que é a sua filosofia de trabalho e de jogo. Posso dizer que já temos meio caminho andado, pois antes dele deixar o país deu algumas indicações sobre os jogadores que gostaria de ter na sua equipa, mas eu gosto de falar de coisas acabadas. Portanto, a última palavra será a do treinador, diz o presidente, aproveitando a oportunidade para fazer uma promessa aos sócios e simpatizantes do clube.

– Neste ano de 2013 o Matchedje vai fazer o melhor para dignificar as Forças Armadas de Defesa de Moçambique bem como todas as instituições da Defesa Nacional. Vai dar o máximo de si para honrar todos os sócios, simpatizantes e todos aqueles que falam bem do Matchedje.

 

Militares sem aspas

 

Marcos Manjate e seu Colectivo de Direcção dizem estar a tomar medidas que tenham por objectivo a recuperação da tradição do Clube Desportivo Matchedje.

– O Matchedje é clube dos militares e eles devem jogar no seu clube, quer no futebol ou noutras modalidades que se movimentam nesta casa, como andebol, atletismo e boxe. Os militares devem praticar o desporto no seu clube. Para tal, temos estado a fazer prospecção em todas as unidades militares para a descoberta de talentos de todas as modalidades e trazê-los para o clube, isto por um lado. Por outro, os atletas que representaram o Matchedje durante algumas épocas são convidados a incorporar-se, querendo, nas Forças Armadas de Defesa de Moçambique e fazerem parte da família militar. Mas também há jogadores que não precisam de se incorporar nas FADM. Esses também poderão fazer parte desta família, mas o desejo é que quando se exaltam as vitórias desportivas nos campos do Costa do Sol, do Maxaquene, do Ferroviário não se diga vitória dos militares entre aspas. Porque serão, de facto, militares. Pretendemos que entre 60 e 70 por cento dos componentes das nossas equipas sejam militares, diz o presidente militar, agora sem aspas.

No dia da Assembleia-Geral Extraordinária do Matchedje anunciou-se, igualmente, que 19 jogadores estavam em preparação político-militar na Escola de Formação de Sargentos de Boane, tendo como finalidade dar corpo ao projecto da “devolução” do Matchedje aos respectivos “donos”.

– Temos 19 jogadores, agora, em Boane, mas a prospecção continua em todas as unidades. Temos campeonatos militares bastante competitivos ao nível de todas as províncias. E nós queremos encontrar os melhores e trazê-los para o Matchedje. Mas, como disse anteriormente, nós damos a possibilidade de escolha aos jogadores moçambicanos, para que aproveitem juntar o útil ao agradável, sendo membros das FADM e, ao mesmo tempo, jogadores do Matchedje. Caso algum atleta não queira se incorporar mas mostrando-se importante e necessário para o clube poderá entrar para o Matchedje pela via que muitos clubes usam para apetrecharem os seus plantéis.

 

MANJATE GARANTE A INAUGURAÇÃO DO COMPLEXO DO INFULENE ESTE ANO

 

Segunda volta do Moçambola

jogaremos no nosso próprio campo

O novo presidente do Matchedje garante a manutenção do ecletismo que caracteriza o clube nos últimos tempos, detendo a hegemonia no andebol e no boxe, para além dos índices competitivos no atletismo.

– Queremos continuar a ser a espinha dorsal para a Selecção Nacional de Andebol, começando por formar uma equipa forte e coesa nesta modalidade. Queremos ter uma equipa ganhadora no boxe, procurando fazer o mesmo em relação ao atletismo, promete o presidente, garantindo que se tudo correr tal como está projectado o Matchedje-futebolístico fará a segunda volta do Moçambola no seu próprio campo, no Infulene, município da Matola.

– Como todos sabem, será num campo de construção de raiz. A pedra foi lançada há dias por S. Excia. Ministro da Defesa Nacional, o Engº. Filipe Nhussi, e as obras já estão em curso e a um bom ritmo. Trata-se de um complexo desportivo das FADM, do qual o Matchedje será o utilizador privilegiado. De forma gradual vamos construir infra-estrturas para outras modalidades, mas neste momento as nossas atenções estão mais viradas para o futebol. Queremos que seja um complexo multi-uso, incluindo a natação, modalidade sem muita expressão no nosso clube.

As modalidades de salão têm se preparado no Pavilhão do Estrela Vermelha, enquanto o futebol alterna o campo da Base Aérea de Mavalane e o campo da SONEFE. Para os jogos do Moçambola Manjate diz que ainda decorrem conversações com direcções de diferentes clubes de modo a cederem seus recintos para os jogos oficiais do Matchedje.

– Até podemos treinar em Boane, sem nenhum problema. Mas, para já, vamos conversar com o “mister” para nos indicar aquilo que são as suas opções em termos das possibilidades que lhe colocarmos à mesa. Mas garanto que o Matchedje vai se preparar da melhor maneira.

 

 

César Langa

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Alex Alves trabalhará

com  António Sábado

Terminada a temporada passada, com a qualificação do Matchedje para o Moçambola, os militares não renovaram o vínculo com Miguel dos Santos, que se diz estar ligado ao quadro técnico da Liga Muçulmana de Maputo.

Para a sua substituição contratou os serviços do brasileiro Alex Alves, que entrou para o futebol moçambicano através do Textáfrica do Chimoio, tendo depois passado para o Ferroviário de Nampula, onde trabalhou até final da época passada.

Para completar o quadro técnico, Alex Alves sugeriu à Direcção do Matchedje a contratação também de António Sábado, seu adjunto nos “locomotivas” da capital do norte, tendo-lhe sido feita a vontade.

Na tarde de sexta-feira o brasileiro foi apresentado aos jogadores e no sábado procedeu-se à abertura oficial da época do Matchedje, coincidentemente com a época militar.

Dirigindo-se, pela primeira vez, aos jogadores que tem à sua disposição para a época 2013, Alex Alves fez questão de dar a conhecer a sua filosofia de trabalho e a sua maneira de estar no futebol, frisando que todos os jogadores do Matchedje estavam em igualdade de circunstâncias neste arranque da temporada.

Este é meu quinto ano aqui em Moçambique, vindo de um país penta-campeão de futebol mundial, onde se apanha jogador de futebol em qualquer lugar, tal como aqui. Podem já ter ouvido dizer que sou chato ou exigente e isso é verdade quando se trata de trabalho. Eu analiso o jogador logo no início da época. Para mim, não conta de onde cada um vem, nem o que jogava na sua anterior equipa. Comigo joga quem tem qualidade. Não protejo jogadores. Quero uma equipa competitiva. Vamos trabalhar para ganhar, porque não basta jogar bonito. Acreditem primeiro em vocês mesmos para conseguirem sucesso, disse Alex Alves.

Os treinos do Matchedje começam esta manhã, já com a equipa técnica completa, com a chegada de António Sábado, que se junta ao brasileiro e a Filipe Chissequere, sendo este responsável pelo treinamento dos guarda-redes.

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